Economia Comportamental Aplicada: o Espaço atuando como um Agente na Produtividade (e Lucro)
Já pensou em aplicar a Neurociência no seu ambiente de trabalho e mudar o comportamento da sua equipe para melhorar a performance e a produtividade? Isso é possível!
NEUROARQUITETURASAÚDEECONOMIA
Priscila Bonifácio
3/6/20265 min read


Imagine um computador de última geração, super potente, que possui uma inteligência artificial incrível em seu sistema operacional. E você substituiu todos os computadores que sua equipe usa por esse ultra inteligente.
Esse computador opera em dois sistemas: o Sistema 1, é o sistema rápido, automático, que roda as tarefas de fundo, e que está o tempo todo varrendo o computador e a rede atrás de ameaças, vírus e qualquer outro problema que coloque em risco a integridade da máquina. E o Sistema 2 é o sistema mais inteligente, analítico, que roda os programas complexos que sua equipe precisa para executar as atividades. Ele só funciona quando é ativado.


Porém, há alguns detalhes que fazem muita diferença:
Esse computador não fica ligado na rede elétrica, ele só funciona através de uma bateria, que deve ser retirada para carregar em um local específico e ela não dura mais do que algumas horas.
O Sistema 2, por ser um sistema mais avançado que o 1, consome muito mais bateria para funcionar.
Toda vez que o Sistema 1 encontra algo na rede que ele identifica como uma ameaça, ele trava o Sistema 2 e tenta corrigir o problema...
...e quando isso acontece, o Sistema 2 tenta recuperar o controle para continuar as tarefas, porém ele acaba gastando 2x mais energia para isso.
Você substituiu todos os computadores da sua empresa por esse mais inteligente, mas não prestou atenção na qualidade do ambiente virtual, dos dados e informações que circulam pelam rede interna da sua empresa. E por causa disso, toda vez que um arquivo corrompido ou com um suposto vírus é salvo, baixado ou movido em algum computador da rede, todos os computadores tem seu Sistema 2 comprometido.
Como resultado, os computadores que deveriam trabalhar pelo menos 6h por dia, simplesmente desligam após 4h de serviço, deixando sua equipe totalmente ociosa e improdutiva.
Isso acontece todos os dias na sua empresa!
O Sistema 1 nada mais é do que o modo padrão do nosso cérebro, operado pela amígdala e pelo hipotálamo. Esse modo é o nosso sistema de alarme, ele está o tempo todo recebendo inputs ambientais do espaço físico ao redor (ele sente como se ainda estivéssemos no meio da savana, entre animais perigosos) e qualquer estímulo diferente ou exagerado ele envia uma descarga de cortisol para o corpo para ajudá-lo a reagir ao perigo (lutar ou fugir).
O Sistema 2 é o nosso modo racional, operado pelo Córtex Pré-frontal, e ele só entra em operação quando o Sistema 1 encontra uma tarefa complexa que ele não consegue executar. Ele é responsável pelas tarefas mais analíticas, resolução de problemas, planejamentos, tomadas de decisão, identificação de erros, e consome 20% a mais de energia do cérebro para funcionar, enquanto o Sistema 1 não consome quase nada. Porém o Córtex Pré-frontal é extremamente sensível ao ambiente físico. Qualquer agente externo que ative o Sistema 1 coloca a amigdala em alerta, e para garantir nossa sobrevivência a amigdala 'sequestra' o Córtex Pré-frontal. Como o CPF entende que não está sob ameaça (ele é a parte racional) ele tenta inibir a Amigdala. Porém, para inibi-la ele consome ainda mais energia, e o resultado dessa 'queima' de energia é uma substância chamada Adenosina, que se acumula no cérebro. A adenosina causa muita sonolência (o café que tomamos inibe a adenosina, por isso sentimos energia ao consumi-lo) e exaustão mental.


O que o seu ambiente caótico, poluído e hostil faz é ativar a amigdala da sua equipe, o tempo inteiro. Isso faz com que eles usem muito mais energia para tentar inibir esses estímulos, o que causa uma sobrecarga e exaustão mental com apenas algumas horas de serviço.
E como resultado, nessa hora sua equipe já não consegue mais trabalhar, é a hora em que as piores decisões são tomadas, os maiores erros são cometidos, o trabalho cai a qualidade, os acidentes acontecem e as pessoas ficam mais irritadas e reativas, o que acaba causando conflitos e piora a comunicação no ambiente de trabalho.
O Espaço como um agente na Produtividade
Para evitar que isso aconteça, e garantir que a sua equipe consiga manter um nível ótimo de performance, o seu ambiente precisa oferecer os estímulos adequados para ela.
É o gráfico de U invertido de Yerkes-Dodson (1908):
Se houver estímulos demais = Alta excitação. Sua equipe não vai conseguir se concentrar, o espaço gera ansiedade e pânico.
Se não houver estímulo nenhum = Baixa excitação. Sua equipe vai se entediar facilmente e buscar estímulos externos (celular, redes sociais, fofoca etc) para não dormir.
Com o nível certo de estímulo = Excitação ótima. Sua equipe vai estar em alerta, focada e com performance máxima.


Muitas empresas não fazem a menor ideia que seu ambiente de trabalho está minando a concentração e a performance de seus funcionários. Outras acham que basta contratar um arquiteto famoso e fazer um bom projeto, com soluções caras, e o ambiente já terá qualidade o suficiente para melhorar a produtividade. Algumas acreditam que é só cumprir as normas para ergonomia, acústica e iluminação e o ambiente já será saudável.
Mas não estamos falando de estética ou de segurança (não que eles não tenham sua função), mas sim de neurociência e psicologia ambiental. E esse conhecimento não é ensinado nas faculdades. É uma área nova, que surgiu nos últimos 20 anos, e vem ganhando força com ajuda dos inúmeros estudos científicos que tem investigado a relação entre o ser humano e o espaço físico construído. Os resultados são impressionantes. E essa tem sido a minha missão nos últimos 10 anos: pegar todo esse conhecimento e aplicar em casas, hospitais, escolas e ambientes de trabalho.
Dicas Práticas
No mundo corporativo, para que o espaço funcione como um agente ativo na produtividade, precisamos seguir algumas regras:
Separar os ambientes por funções ou tarefas
Promover iluminação cronobiológica
Gerar previsibilidade sonora
Promover isolamento acústico
Aplicar Biofilia
Proporcionar privacidade e personalização do espaço
Criar espaços para descarga sensorial
Promover um design ativo e regenerativo
Além dessas mudanças físicas no espaço, também é importante trabalhar a parte social e organizacional da empresa, pois juntos formam os 3 pilares que são a base de um ambiente de trabalho saudável.
Quer verificar se o seu ambiente de trabalho precisa de uma reestruturação? Clique no Link abaixo e faça gratuitamente o Diagnóstico de Saúde e Performance Ambiental corporativa da sua empresa!
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