Use o Ambiente de Trabalho para melhorar a Performance da sua Equipe, aplicando a Neurociência

Já pensou em usar seu ambiente de trabalho como um agente ativo na melhoria do desempenho e performance da sua equipe, usando soluções validadas pela Neurociência? Confira neste artigo!

NEUROARQUITETURAECONOMIASAÚDE

Priscila Bonifácio

3/24/20266 min read

Por muito tempo nós enxergamos o ambiente à nossa volta somente a partir da sua geometria: paredes, pisos, teto, janelas e portas. Mas nos últimos 20 anos a ciência tem jogado luz em uma área pouco explorada: em como o espaço afeta o nosso cérebro e o nosso organismo.

E tudo começou em 1950...

Jonas Salk foi um cientista virologista que ficou conhecido por trabalhar no desenvolvimento da vacina da Poliomielite. Conta-se que ao sofrer de um bloqueio criativo em seu laboratório, Salk decidiu tirar uns dias para descansar na casa de campo de sua família. Uma vez lá ele percebeu que as ideias que pareciam adormecidas se tornaram muito vivas. Ele teve muitos insights, anotou todos e começou a trabalhar neles ali mesmo, na casa de campo. Porém ele percebeu que não tinha concentração o suficiente para desenvolver essas ideias, o que o fez voltar para o laboratório na cidade, onde lá ele conseguiu ter foco para trabalhar nelas.

Isso aconteceu mais de uma vez, e Salk percebeu um padrão:

Na casa de campo, junto à natureza, ele era mais criativo mas tinha menos foco.

No laboratório da cidade ele não era criativo mas era mais concentrado, produzia mais.

Com base nisso, por volta de 1960 Salk resolveu construir um novo laboratório e chamou o arquiteto Louis Khan para desenvolver o projeto. Ele pediu a Kahn que o laboratório tivesse espaços que possibilitassem tanto a criatividade e a colaboração quanto o foco e a concentração. Nascia então a Neuroarquitetura.

Os aspectos-chave da abordagem de Salk foram:

  • Design Colaborativo: Salk insistiu em criar espaços abertos, laboratórios com espaços flexíveis com algumas paredes fixas para facilitar a interação entre cientistas de diferentes disciplinas.

  • A Arquitetura do Instituto Salk: O instituto possui um pátio central criado para promover a conexão e também relaxamento, equilibrando a luz natural e o espaço aberto para um espaço rico para as ideias surgirem.

  • Precursor da Neuroarquitetura: O objetivo de Salk em criar ambientes que afetassem o cérebro e o comportamento foi uma forma avançada de aplicar a psicologia, enfatizando que a arquitetura deveria apoiar tanto o trabalho científico quanto o bem-estar psicológico.

  • Saúde Mental e Ambiente: Salk acreditava que a estética e a qualidade funcional do ambiente de trabalho (luz, espaço, vistas) influenciavam as funções cognitivas e reduziam o estresse dos pesquisadores.

"O ambiente pode modular as funções dos genes e até mesmo a estrutura do nosso cérebro, portanto ele pode mudar nosso comportamento" - Jonas Salk

E ele não estava errado. Quase 50 anos depois surgem as primeiras evidências científicas de que as ideias de Salk estavam corretas.

O ambiente não é cenário. É um sistema que programa o seu cérebro.

Se você já sentiu dificuldade de concentração, irritação ou cansaço mental ao trabalhar em determinados lugares, isso não é apenas psicológico: é biológico. Estudos mostram que o ambiente físico influencia diretamente o funcionamento do cérebro. Em uma pesquisa da Universidade de Stanford (Bratman et al., 2015), indivíduos que caminharam em ambientes naturais apresentaram redução da atividade em áreas cerebrais associadas à ruminação e ao estresse, indicando que o espaço pode regular estados mentais e emocionais de forma mensurável.

Além disso, até a forma dos ambientes impacta nossas respostas neurais. Um estudo de Vartanian et al. (2013) demonstrou que espaços com ângulos agudos ativam mais a amígdala, região ligada à percepção de ameaça, enquanto ambientes com formas curvas são percebidos como mais seguros e agradáveis. Ou seja, o cérebro interpreta o design do espaço como um sinal de risco ou conforto, influenciando diretamente nosso nível de alerta, tensão e bem-estar.

Elementos básicos como luz e qualidade do ar também têm efeito direto na performance. Pesquisas mostram que trabalhadores expostos à luz natural dormem melhor e apresentam maior desempenho cognitivo (Boubekri et al., 2014). Já o estudo COGfx, da Harvard T.H. Chan School of Public Health (2015), revelou que ambientes com melhor ventilação e qualidade do ar podem aumentar a capacidade de tomada de decisão em até 61%.

Esses achados confirmam o que Jonas Salk percebeu intuitivamente décadas atrás: o ambiente não é apenas um cenário, mas um modulador ativo do comportamento e da cognição. Ignorar isso significa operar em um sistema que pode estar limitando a performance da sua equipe; entender e ajustar o espaço, por outro lado, permite criar condições reais para foco, clareza mental e produtividade.

Guia de Ouro: Como usar esse conhecimento no seu Ambiente de Trabalho para melhorar a Performance da sua Equipe?
Todo ambiente corporativo possui geralmente dois tipos de tarefas:
  • Tarefas simples, dinâmicas e/ou criativas, que exigem muita interação, maior esforço mecânico ou físico repetitivo (como falar ao telefone, carimbar papéis etc), pesquisa, testagem etc. Também são aquelas tarefas mais simples, automáticas (e chatas!). Essas tarefas não precisam de um ambiente tão silencioso, precisam de um ambiente com mais estímulo (sem exagero) para manter o cérebro acordado.

  • Tarefas complexas e analíticas, que exigem muita concentração, menor esforços mecânico ou físico repetitivo. Mas são tarefas que exigem foco, seja para redação e leitura de códigos e documentos, verificação de erros, solução de problemas, cálculos, planejamentos e atividades que exigem muita tomada de decisão. Essas tarefas precisam de um ambiente mais silencioso, com menos estímulos (porém não monótonos) para manter o cérebro concentrado.

Como saber que tipo de função minha equipe executa? R: Você precisa conhecer o trabalho deles! Observar, verificar como é feito o trabalho, quais tarefas e atividades são executadas e, principalmente, ouça sua equipe! Ninguém melhor para te dar um feedback sobre a necessidade de cada função do que quem a executa!

Para entender melhor a diferença entre essas duas funções, precisamos conhecer o conceito de nível ótimo de estímulo, resultado de uma pesquisa realizada em 1908 pelos psicólogos Robert Mearnes Yerkes e John Dodson Dillingham, cujo resultado ficou conhecido como "Lei de Yerkes-Dodson". Essa pesquisa explorou a hipótese de que a nossa performance varia de acordo com o nível de estímulo ambiental. Eles descobriram que existe um 'nível ótimo', ou um nível ideal de estímulo para manter a performance.

Resumindo, significa que um ambiente onde se executa tarefas complexas (gráfico da esquerda) e que se precisa de muita concentração, se você eliminar todos os estímulos ambientais (imagine uma sala totalmente branca, com divisórias brancas entre as mesas também brancas, piso branco, teto branco, luminárias brancas, sem nenhum estímulo visual, olfativo ou sonoro, quase como uma 'sala de internação psiquiátrica'...) achando que isso vai melhorar a performance das pessoas e mantê-las mais concentradas, você vai na verdade deixá-las extremamente entediadas e isso vai forçar o cérebro delas a buscar estímulos em outros lugares, então elas vão se distrair com o celular ou no próprio computador, ou vão conversar mais entre elas.

Da mesma forma, você também não pode criar um ambiente com excesso de estímulos ambientais pois isso vai deixá-las ansiosas, agitadas e irritadas, o que vai atrapalhar a sua concentração e também reduzir sua performance.

O mesmo vale para ambientes onde se executam tarefas simples (gráfico da direita). Por mais que esse tipo de tarefa tenha uma maior resistência a um nível de estímulo mais alto, ela também precisa atingir um nível ótimo: nem muito estímulo para atrapalhar a concentração e nem pouco estímulo para causar tédio.

Essa pesquisa de Yerkes-Dodson já foi amplamente testada e validada em contextos diferentes, desde ambientes industriais como chão de fábrica aos ambientes corporativos, tornando-se extremamente respeitada e influente no meio científico.

Ela também tem sido aplicada de forma terapêutica, auxiliando no tratamento da ansiedade crônica. Já pensou se o seu ambiente de trabalho ajudasse seus colaboradores a combater a ansiedade? Seria o 'crème de la-crème' do mundo corporativo!

Vamos às dicas práticas para sua organização colocar a mão na massa e melhorar de vez a performance da sua equipe e do seu negócio!

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